Crédito: Prêmio Empreendedor Social

Saúde mental e negócios de impacto social: inteligência artificial em favor do equilíbrio emocional

Robôs e chatbots (programa que simula um ser humano na conversação com pessoas) podem ajudar a aliviar a epidemia de saúde mental, sobretudo, quando relacionada às atividades profissionais. A sobrecarga de trabalho remoto teve um impacto negativo em milhões de pessoas, intensificando problemas como estresse, depressão e ansiedade, como aponta uma pesquisa divulgada pelo Fórum Econômico Mundial.

De acordo com o levantamento da Workplace Intelligence, 82% das pessoas entrevistadas acreditam que robôs são melhores que humanos para dar suporte a questões relacionadas à saúde da mente; para 64%, a “máquina” representa uma zona livre de julgamentos, na qual se pode buscar informações sem expor seus pontos fracos para chefes e colegas de trabalho. Um robô não vai julgar você; não vai pensar sobre a sua história passada e estará disponível 24 horas por dia. Se você estiver estressado ou sobrecarregado às 23 horas, você o terá disponível. Essa tecnologia pode orientar com os melhores recursos de suporte e práticas, dicas e pode, ainda, encaminhar a pessoa para um profissional, quando necessário — aponta o report.

Um negócio de impacto social brasileiro está trabalhando nessa direção. Pioneira em chatbots no Brasil, a Vitalk atua com uma tecnologia que permite escalar o cuidado com a saúde emocional das pessoas. Com base científica e clínica por trás, a startup foi criada em 2013, originalmente com o nome de TNH Health. Na época, a proposta era baseada em um serviço de envio de SMS destinado a lembrar as pessoas de que deveriam tomar seus remédios; os fundadores — o norte-americano Thomas Prufer, o canadense naturalizado Michael Kapps e o brasileiro Juliano Froehner — tiveram a ideia de criar a empresa quando eram estudantes da Universidade Harvard.

Inquietos com a falta de acesso da população em situação de vulnerabilidade social à saúde de qualidade, decidiram desenvolver soluções tecnológicas focadas em ajudar as organizações públicas a monitorar populações em larga escala e potencializar o engajamento delas. A visão — de que a saúde igualitária é construída com foco na atenção primária, ampliando o acesso à informação e monitorando riscos — fez com que os empreendedores investissem mais na proposta.

A Vitalk, lançada em 2019, oferece conteúdos constantemente atualizados por uma equipe de profissionais das áreas de psicologia, design, engenharia, marketing e ciência de dados. A versão gratuita do serviço, disponível via aplicativo, já foi usada por mais de 200 mil pessoas. Na empresa, a orientação psicológica é baseada em uma jornada formada por um plano individual de cuidados, ou seja, inclui análise da situação atual do paciente — aborda questões emocionais e mentais, desafios, conflitos, pontos que gostaria de melhorar -; e, com base nesse diagnóstico, o psicólogo monta um plano de cuidado com exercícios e técnicas especiais. Como plataforma tecnológica, permite ao usuário estar próximo de profissionais em qualquer lugar do País, democratizando assim o acesso.

Os empreendedores almejam tornar a empresa uma solução completa de assistência médica primária, com conversas digitais que abarcam de saúde mental a doenças crônicas e gravidez. A solução não é um diagnóstico, tampouco tem o objetivo de substituir uma consulta médica ou terapia, mas se propõe a ser uma maneira acessível e eficiente para problemas cotidianos de saúde e bem-estar.

Para escalar o acesso à saúde mental de forma sustentável, além da versão gratuita, a Vitalk oferece uma experiência de saúde mental para empresas que queiram apoiar o bem-estar dos colaboradores. A solução permite que as companhias disponibilizem um check-up de saúde mental para os funcionários, realizado totalmente por meios digitais, com a Viki. Além de atuar na conscientização sobre o tema por meio de materiais de comunicação, webinars e e-books, identificar riscos e encaminhá-los para o tratamento adequado de forma eficiente — sempre preservando o sigilo individual do colaborador que participa do programa.

Para finalizar, trago um alerta importante trazido pelo Fórum Econômico Mundial: a tecnologia não substituirá o terapeuta. Robôs e chatbots não podem ter empatia com as pessoas ou diagnosticar nossas doenças mentais. Ainda precisamos dos seres humanos — hoje, inclusive, mais do que nunca! O que vemos é que essas soluções visam complementar o trabalho valioso de profissionais de carne e osso.

Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.

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