Crédito: Alexandre Cerqueira

O poder das grandes empresas de mover os ponteiros das desigualdades sociais

As grandes empresas têm um potencial muito grande de transformar a realidade social do Brasil. Com o capital que movimentam, seus investimentos e suas operações, elas detêm um poder transformacional. À medida que temos companhias pressionando o governo a olhar seriamente para as questões da Amazônia e para o combate ao desmatamento, vemos que elas estão assumindo papéis de protagonistas de uma transformação da sociedade.

Quando a gestão dessas companhias passa a analisar a própria cadeia de valor e as suas políticas de diversidade, quando elas passam a questionar os investimentos realizados, ou seja, a forma de utilizar o capital para causar impacto social e ambiental positivos — garantindo boas práticas de governança –, vemos uma nova forma de atuar dentro da lógica de um capitalismo mais consciente.

Mesmo com todos os desafios, não podemos negar que há uma força de mobilização em curso. A Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) — documento que conclama essas grandes empresas a assumirem esse protagonismo nas suas práticas — é um dos exemplos dessa movimentação.

Existe muito poder dentro do setor privado para mudar os ponteiros das desigualdades sociais que nos impedem, como nação, de ir na direção de um crescimento que respeita os limites planetários e que coloca o ser humano no centro do processo.

Fico feliz em ver que cada vez mais os CEOs e executivos têm olhado para processos de impacto social, ambiental e governança dentro do movimento do ESG (sigla, em inglês, para environmental, social and governance). Muitos investidores, inclusive, sinalizam claramente que só vão atuar com empresas que estão em conexão com esses fatores socialmente responsáveis.

A desigualdade da sociedade brasileira é uma escolha, não um fato dado por natureza. Para mudar o mundo para melhor, precisamos repensar e provocar mudanças de narrativas e valores, inclusive das grandes empresas.

E o que essas companhias nacionais e internacionais têm a fazer para acelerar essa transformação? Essas grandes empresas podem — entre várias iniciativas — incorporar a responsabilidade socioambiental em seus modelos de gestão, o que significa, inclusive, abolir as práticas de maquiagem social e ambiental.

Podem apoiar, consistentemente, iniciativas que dão start ao processo de reimaginar e recriar a sociedade, promovendo mais inclusão e reduzindo desigualdades.

Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.

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