Gestão de dados ajuda a minimizar desafios do sistema público de saúde

Oitenta e sete milhões de brasileiros são acompanhados por 27 mil equipes de Saúde da Família. Presente em 92% dos municípios, o programa focado na atenção básica já foi eleito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos 10 melhores do globo. Referência mundial, o Sistema Único de Saúde (SUS) — assegurado pela Constituição e nascido da pressão de movimentos populares de reafirmar a saúde como um direito de todos — tem sido fundamental no combate e no atendimento de pacientes acometidos pelo novo coronavírus.

Há mais de três décadas, ele tem feito a diferença para milhões de brasileiros e brasileiras, sobretudo cidadãos em situação de vulnerabilidade econômica. Hoje, o SUS é usado por 75% da população, ou seja, mais de 150 milhões de pessoas.

Na Brazil Conference at Harvard & MIT — evento anual realizado pela comunidade brasileira de estudantes em Boston, nos Estados Unidos, e que conta com parceria do Estadão — um dos painéis abordou os desafios do sistema de saúde; um dos temas propostos foi sobre como as empresas podem contribuir com a sociedade. Das reflexões geradas, vemos que há muito espaço para melhorias e que os negócios de impacto social podem contribuir com esse aprimoramento. Um desses negócios é a ePHealth.

Fundada em 2015 por Pedro Marton Pereira, a ePHealth tem se aprofundado na atuação da saúde primária. A plataforma de dados foi criada para otimizar o cotidiano dos profissionais de saúde e oferecer às prefeituras uma solução assertiva para o mapeamento populacional: coleta, análise e gestão de dados. Na percepção do empreendedor, lançar um olhar macro e social é essencial para gerar conhecimento — que é a base para um sistema de saúde eficiente, com estratégias e políticas públicas seguras.

No cerne da empresa, o propósito de fortalecer o elo entre o Estado e os cidadãos, promovendo impacto social com um sistema de saúde seguro e promissor. Na prática, a empresa oferece soluções inteligentes e acessíveis para minimizar os grandes desafios do setor, contando com apoio de tecnologia de ponta. O alcance do negócio chega a mais de 3.600 cidades, assistindo 3,5 milhões de pessoas; são mais de 50 mil visitas domiciliares diárias e mais de 1,2 milhão de vacinas reportadas. Em São Paulo, por exemplo, está em um projeto implementado na favela de Paraisópolis.

A parceria com pesquisadores e instituições de referência internacional permite à empresa produzir dados de qualidade com potencial de oferecer suporte para a transformação social. Com informações seguras e atuais, o poder público tem acesso a uma radiografia da realidade social e sanitária da cidade para que sejam traçadas estratégias condizentes com a real necessidade da população em termos de políticas públicas.

Para tal, a empresa conduz a “higienização dos dados”, com a recuperação do histórico de cadastros, que é interligado a um processo automatizado. Com isso, os problemas nos cadastros de prefeituras (informações inválidas ou inexistentes) são eliminados com dados limpos para criar uma base segura de informações.

Diante da pandemia, a ePHealth iniciou duas iniciativas gratuitas. A primeira é a plataforma Fast-Track Covid-19 — um protocolo de manejo clínico para o novo coronavírus. A solução já está disponível na internet, com suporte de um portal em nuvem que interage com um sistema de agendamento e aplicativo específico para uso em dispositivo móvel.

Entre as quatro funcionalidades, a jornada do paciente e dos profissionais de saúde no atendimento: triagem (recepção/agenda); sintomas e notificação compulsória (enfermeiro); sinais vitais (técnico de enfermagem); e desfecho (para médico). A segunda solução é o Meu SUSzinho, um aplicativo gratuito para a população brasileira mais vulnerável. Com ele, o cidadão pode se conectar rapidamente, de forma automática, com equipes de saúde para receber conteúdos personalizados.

Em última análise, falar sobre o aprimoramento do SUS é defender a justiça social. Os serviços públicos básicos com qualidade definem um espaço de oportunidades para tratar adequadamente os brasileiros, sobretudo os que têm o Estado como única forma de acesso a um atendimento médico digno. Do ponto de vista da saúde pública, a excelência na prestação desse serviço nos garante equidade.

Hoje, em meio à pandemia que assola o País, o SUS tem revelado um atendimento assimétrico em várias cidades, em especial quando comparado com a saúde privada. Temos que resolver essas assimetrias e garantir melhores condições para que não reforcemos as desigualdades sociais por meio de serviços públicos ineficientes.

Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.

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