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Crédito: Alexandre Cerqueira

Economia de impacto parte 2: como acelerar o setor no País?

Distante da pretensão de estabelecer regras, gostaria de abrir um diálogo e propor reflexões sobre como poderíamos acelerar o amadurecimento de uma economia de impacto no Brasil. Uma análise preliminar aponta para a demanda urgente de redefinir papéis dos atores sociais, porque a transição requer mudanças significativas na maneira como vários grupos conduzem os próprios negócios e a maneira de viver.

Quando pensamos em governos, por exemplo, será que eles pagariam por resultados sociais medidos e verificados em vez de pagar a prestadores de serviços sem comprovação de impacto positivo e significativo?

O que pretendo com a questão é provocar as partes interessadas a descobrir que uma economia de impacto madura exige que todos abandonem velhas formas de enxergar a própria atuação; que estejam dispostos e disponíveis para reformular os papéis e olhares. Há um consenso, entre os entusiastas da mudança, que o modelo não atingirá a maturidade até que haja um desenvolvimento de políticas, práticas e padrões para governar a dimensão social das atividades econômicas relacionadas com o impacto socioambiental.

Vale refletir que a inexistência de normas que organizam a dimensão social de impacto pode gerar restrições poderosas para a consolidação dessa nova economia. À medida que esses acordos sejam estabelecidos, a hipótese é que haja uma transição para um outro patamar de modelo econômico, com maiores fluxos de capital, talento e conhecimento.

O relatório Catalyzing the growth of the Impact Economy, conduzido pela McKinsey & Company, que inspirou a minha reflexão, aponta três atividades que podem ajudar a estabelecer as normas essenciais ao amadurecimento de uma economia de impacto.

  1. Os governos deveriam instituir políticas públicas destinadas a incentivar os investimentos de impacto e a expansão de empresas sociais. Uma dessas políticas, por exemplo, pode ser de deduções fiscais para investimentos sociais semelhantes às deduções fiscais para alguns tipos de doações filantrópicas.
  2. Deveríamos buscar um compromisso amplo com o reforço mútuo das normas operacionais — de medição e elaboração de relatórios para gestores de fundos, empreendedores sociais e intermediários de economia de impacto. Como em outros campos, os requisitos e padrões profissionais de conduta têm potencial para ajudar a aumentar a qualidade e a consistência dos serviços prestados por gestores de fundos, empreendedores sociais e outras partes interessadas na economia de impacto, assim como em outros campos.
  3. Poderíamos criar um órgão da indústria que promova políticas e padrões de excelência, que leve todos os participantes a adotá-los. Alguns componentes da economia de impacto — particularmente entre gestores e empreendedores de ativos — são relativamente novos nas tarefas de financiamento e criação de impacto social. Fundações e investidores fizeram muito para ajudar os gestores e empresários de fundos, criando organizações nas quais eles podem trocar conhecimento e ideias. Um órgão industrial bem organizado poderia agilizar a adoção de políticas e padrões, agindo como uma câmara de compensação para esse tipo de conhecimento.

Perante o desafio de combater o avanço da desigualdade econômica no mundo, enxergo a urgência de potencializar o amadurecimento de uma economia de impacto. Mas, em uma análise bastante crítica, entendo que a tarefa demanda uma coalizão entre investidores, empreendedores, governos e organizações sociais; todos precisam, juntos, superar as próprias restrições práticas para estarem preparados a assumir novos e diferentes papéis.

Não há uma bala de prata ou solução mágica para tornar a economia de impacto mais madura, mas existe um passo essencial para que isso aconteça: uma visão compartilhada de que devemos, conjuntamente, lutar contra o avanço da pobreza no mundo.

Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.

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