No Brasil, 14,2 milhões de moradias carecem de pelo menos um serviço de infraestrutura urbana, como energia elétrica e esgoto sanitário, e 16,3% da população não é atendida pela rede de abastecimento de água. Foto: Marco Torelli

Desafios da habitação demandam soluções inovadoras para avançar

Artemisia

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Tradicionalmente, no mês de agosto, vemos articulações de diferentes organizações em torno de eventos para debater a questão da habitação no Brasil. Vou aproveitar a ocasião para voltar a falar, também, sobre o tema, utilizando a lente do empreendedorismo de impacto.

Dados de 2021 da Fundação João Pinheiro apontam que, no Brasil, 14,2 milhões de moradias carecem de pelo menos um serviço de infraestrutura urbana (energia elétrica, abastecimento de água, esgoto sanitário ou coleta de lixo); 16,3% da população brasileira não é atendida pela rede de abastecimento de água, ou seja, 35 milhões de pessoas; e 45,9% não acessam serviços de coleta de esgoto (100 milhões de pessoas), de acordo com o Instituto Trata Brasil.

Com o objetivo de mapear os principais desafios de moradia que a população em situação de vulnerabilidade social e econômica enfrenta — e, especialmente, as oportunidades para o desenvolvimento de negócios de impacto social que possam trazer melhoria à vida desses cidadãos –, em 2021, a Artemisia lançou uma edição revisada da Tese de Impacto Social em Habitação, que pode ser acessada na íntegra neste site.

As reflexões trazidas por esse mapeamento permanecem atuais e trazem análises de dados quantitativos e qualitativos, envolvendo moradia e impacto social; panorama da habitação no Brasil (déficit habitacional, infraestrutura); segregação socioespacial; aglomerados subnormais; mercado (construção civil e imobiliários); casa (aspectos físicos, emocionais, segurança de posse, localização e financeiro); públicos vulneráveis; políticas públicas; e visões do futuro.

Conta, ainda, com um capítulo especial sobre o impacto da pandemia na crise habitacional nacional. A proposta da análise setorial está dentro da lógica de mapear os reais desafios da habitação no País e avaliar os possíveis caminhos para endereçá-los, envolvendo especialistas de diferentes frentes do setor, inclusive, do ecossistema de negócios de impacto socioambiental.

Ao acessarmos esse conteúdo, vemos que permanece urgente lançarmos um olhar sistêmico para esse contingente de seres humanos vivendo em condições inadequadas; essa situação atinge milhares de famílias brasileiras em diferentes dimensões para além da saúde, como autoestima, segurança, qualidade de vida, educação e empregabilidade.

Acredito ser importante salientar que embora os desafios que tangem as habitações das pessoas mais vulneráveis tenham sido evidenciados pela pandemia, eles são complexos e históricos, demandando ações conjuntas. Para enfrentar problemas dessa magnitude, é preciso agir em colaboração, unir expertises de diferentes organizações e empresas que olham para os temas habitacionais. Apenas dessa forma é possível avançarmos na transformação necessária dentro ao setor.

Desse rico material, destaco, nesta coluna, algumas das oportunidades que foram mapeadas para empreendedores de impacto.

  • Soluções financeiras para habitação: destinadas a facilitar o acesso ao crédito com taxas acessíveis para aquisição ou reformas de moradias.
  • Regularização fundiária: empresas que atuam para regularizar a situação de famílias em ocupações irregulares e focadas em diminuir os custos com burocracias.
  • Aluguel acessível para moradia adequada: a ideia é que sejam soluções que possibilitem o acesso à moradia digna por meio de um aluguel acessível e desburocratizado.
  • Acesso e eficiência de serviços básicos (água, esgoto, energia e coleta de lixo): soluções que possibilitem acesso e alternativas de qualidade para serviços básicos, gerar eficiência energética, consumo consciente de água e energia, e reduzir custos de serviços de moradia.
  • Capacitação e oportunidades para profissionais da construção civil: negócios que possam ampliar as oportunidades do trabalhador e da trabalhadora da construção civil e qualificar a mão de obra do setor.
  • Inovação em processos e materiais da construção civil: negócios de impacto que atuam com materiais mais sustentáveis, resistentes e baratos, além de processos inovadores, eficientes e com custos menores.

Maure Pessanha é empreendedora e presidente do Conselho da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.

Você tem interesse em saber mais sobre #habitação e #impactosocial ou pensa em empreender no setor?

Confira na íntegra a Tese de Impacto Social em Habitação, análise setorial realizada pela Artemisia ao lado da Gerdau — em parceria com o Instituto Vedacit, Tigre, Votorantim Cimentos e apoio da CAIXA e CAU/BR. Conheça os principais desafios que a população em situação de vulnerabilidade econômica no Brasil enfrenta no tema e quais as oportunidades para negócios de impacto social trazerem melhorias às vidas de muitos brasileiros e brasileiras. Faça o download gratuito AQUI.

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