Raquel Schramm, uma das fundadoras do EntregAli. Foto: Marco Torelli

Caixas de entrega conectadas são opção para ignorados pelos Correios

Entre os países da América Latina, o Brasil é o que mais realiza compras online. No mundo, estamos entre os 10 países com maiores receitas de e-commerce por usuário. Em 2018, mais de 52 milhões de brasileiros e brasileiras compraram pela internet. Nos próximos três anos, a expectativa é que esse número ultrapasse a casa dos 60 milhões.

Na contramão desse crescimento, um contingente expressivo de pessoas não tem acesso ao recebimento de mercadorias em casa por residirem em áreas com acesso restrito ao CEP. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no final de 2018, suspendeu uma liminar que obrigava os Correios a restabelecer integralmente o serviço em toda a capital paulistana, incluindo bairros considerados de risco, de acordo com a reportagem publicada pelo Estado.

Como alternativa convencional, a população das periferias pode retirar as compras realizadas no ambiente virtual em agências da companhia. Essa solução paliativa nem sempre é satisfatória para o consumidor, pois a entrega domiciliar não acontece em ruas não regularizadas, por exemplo; o mesmo ocorre em logradouros sem pavimentação ou numeração ordenada, individualizada e única dos imóveis. Mas um negócio de impacto social tem atuado para dar uma outra resposta a esse desafio.

Fundada em 2018 por Raquel Schramm e Thiago Sigiliano Lopes, a EntregAli atua com a instalação de caixas postais eletrônicas — collectspots (pontos de coleta), hardwares com interface IoT (internet das coisas) — em pontos comerciais. A solução permite que os consumidores, que têm dificuldade em receber encomendas, cadastrem as próprias caixas postais, vinculando-as a um equipamento via plataforma na nuvem.

O objetivo é tornar o processo de entrega e recebimento de encomendas um autosserviço acessível, fácil, seguro e democrático. A ideia é que os usuários possam receber em horários mais cômodos com garantia de privacidade, eficiência e controle. Para utilizar, basta cadastrar uma caixa postal online associada a um dos pontos de coleta e retirar a encomenda com um código recebido via e-mail. Os collectspots podem ser instalados em empresas, condomínios e pontos comerciais.

O objetivo dos empreendedores é vencer o desafio de logística e realizar entregas de encomendas para um grande contingente de pessoas que hoje não estão bem atendidos como cidadãos. A empresa conta com dois hardwares instalados, já concluiu 300 entregas e conta com 60 caixas postais cadastradas.

Com o propósito de gerar impacto positivo, o negócio quer propiciar acesso a serviço de correspondência para moradores de áreas não atendidas pelos serviços de entrega, ou seja, planeja auxiliar no fortalecimento da cidadania e direitos individuais.

Coletor EntregAli. Foto: Thiago Lopes

No primeiro semestre do ano, o guarda-volumes inteligente foi o primeiro no Brasil a ser homologado pelos Correios — que viu na iniciativa uma alternativa para atender a enorme demanda de entregas e devoluções. Hoje, 75% das correspondências do País são entregues pela estatal, que enfrenta o desafio de atender todo o território nacional.

Nos próximos meses, a expectativa dos empreendedores é de crescimento, já que os Correios aumentaram a área de atuação da caixa inteligente em prédios com portaria remota nas cidades do interior de São Paulo. A notícia é muito relevante, sobretudo porque a ausência de um CEP compromete o acesso aos direitos à cidadania. É preciso apoiar iniciativas que se propõem a quebrar as barreiras invisíveis que existem nas cidades.

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