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Crédito: Alexandre Cerqueira

Distante da pretensão de estabelecer regras, gostaria de abrir um diálogo e propor reflexões sobre como poderíamos acelerar o amadurecimento de uma economia de impacto no Brasil. Uma análise preliminar aponta para a demanda urgente de redefinir papéis dos atores sociais, porque a transição requer mudanças significativas na maneira como vários grupos conduzem os próprios negócios e a maneira de viver.

Quando pensamos em governos, por exemplo, será que eles pagariam por resultados sociais medidos e verificados em vez de pagar a prestadores de serviços sem comprovação de impacto positivo e significativo?

O que pretendo com a questão é provocar as partes interessadas a descobrir que uma economia de impacto madura exige que todos abandonem velhas formas de enxergar a própria atuação; que estejam dispostos e disponíveis para reformular os papéis e olhares. Há um consenso, entre os entusiastas da mudança, que o modelo não atingirá a maturidade até que haja um desenvolvimento de políticas, práticas e padrões para governar a dimensão social das atividades econômicas relacionadas com o impacto socioambiental. …


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Crédito: Felipe Gabriel

Construir futuros a partir de novos questionamentos, de reflexões sobre os modelos socioeconômicos vigentes e sob a perspectiva do ser humano no centro de um processo consistente de transformação social. Com essa visão, a criação da Artemisia esteve em plena sintonia com o zeitgest, o espírito do tempo. Há 15 anos, a jovem norte-americana Kelly Michel, aos 23 anos, decidiu fundar no Brasil uma organização destinada a integrar negócios e impacto social positivo.

Era urgente (e, ainda é) endereçar os desafios da população de baixa renda com soluções potentes. Nesse ambiente propício à inovação social, nasceu a organização, cujo nome é inspirado em Artemisia Gentileschi — pintora italiana do barroco (século 17), a primeira mulher a cursar a Academia de Belas Artes de Florença. …


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Crédito: Artemisia Brasil

Diferentemente do capitalismo tradicional, com demanda unilateralmente centrada em retornos financeiros, a economia de impacto é conceituada pela McKinsey & Company — no relatório Catalyzing the growth of the Impact Economy — como um sistema no qual as instituições e os indivíduos dão a mesma prioridade para os impactos social, ambiental e financeiro ao tomar as decisões sobre como alocar os recursos.

Com essa perspectiva, que combina dimensões tidas com inconciliáveis, consumidores e acionistas desafiam, constantemente, os empreendedores e executivos a mostrar que os lucros têm sido gerados de maneira a contribuir com o bem público. Interessante notar que a abordagem que permeia esses negócios tem contaminado positivamente algumas organizações em vários níveis: nas escolhas estratégicas, no gerenciamento de cadeias de suprimento e na alocação de fundos para investimentos. …


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A saúde sempre foi uma temática prioritária para a Artemisia por entendermos que esse é um setor estruturante, que dialoga diretamente com a melhoria da qualidade de vida da população mais vulnerável economicamente. Sempre enxergamos o enorme potencial que negócios inovadores têm para qualificar a oferta dos serviços de saúde pública que são prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Entretanto, existe um abismo que separa, de um lado, os empreendedores e as soluções, e de outro, o setor público. …


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Criada em 2007 com o objetivo de disseminar a cultura empreendedora no mundo, a Semana Global de Empreendedorismo (SGE) encontrou um campo fértil no Brasil. Quando o movimento aportou no País, em 2008, começou a trilhar uma jornada que culminou em uma mobilização que, nos últimos três anos, reúne mais de 2,5 milhões de pessoas por edição.

Hoje, entre os 170 países participantes, temos um papel de destaque não somente pelo número de participantes ou consistente programação, mas por colaborarmos com reflexões pertinentes sobre os caminhos viáveis para fomentar e apoiar uma nova geração de empreendedores e empreendedoras.

Membro do Conselho Nacional da Semana Global de Empreendedorismo, a Artemisia apoia a iniciativa — que, em 2020, será conduzida de 16 a 22 de novembro (confira aqui no site) e terá como tema “A retomada da economia e o papel do empreendedorismo” — com um olhar voltado para os negócios de impacto social. …


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Crédito: Alexandre Cerqueira

Problemas complexos demandam soluções essencialmente inovadoras — essa lógica se aplica, perfeitamente, ao setor da habitação. Sabemos o quanto é urgente lançarmos um olhar para o contingente de brasileiros que vivem em condições inadequadas; em paralelo, empreendedores de vários Estados do País têm desenvolvido soluções acessíveis, relacionadas aos desafios de moradia que afligem a população mais vulnerável. Mas como aproximar essas duas realidades? A resposta a esse desafio pode estar em novos arranjos que potencializam a proposta de escalar as soluções. Ao conectar pessoas com propósitos similares, fortalecemos uma rede.

Acredito que as conexões certas transformam a maneira como geramos os resultados. Com a coalização em habitação — fundada pela Artemisia e pela Gerdau –, temos trabalhado na ideia de fomentar um ecossistema de negócios que resolvam os graves problemas habitacionais do nosso País em parceria com vários players do setor; agora, em 2020, esse conceito se fortaleceu ainda mais. …


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Crédito: Marco Torelli

Em diferentes iniciativas e projetos desenvolvidos pela Artemisia, compartilhamos a importância de ter sempre o ser humano no centro do processo. Estou falando da equipe, dos parceiros de negócios, do próprio empreendedor e dos clientes. Um negócio de impacto existe porque há uma dor que aflige a sociedade e que precisa ser resolvida.

O peso de lidar com o cotidiano não pode nos afastar dessa perspectiva profundamente humana e empática. Exatamente por ser guiado por um propósito, o empreendedorismo social está repleto de histórias de indivíduos que se encantaram mais pela solução do que pelo problema. …


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A insegurança alimentar grave, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atinge 10,3 milhões de pessoas. O Brasil possui 4,6% de domicílios (3,1 milhões) habitados por cidadãos que passam fome. Na prática, há uma redução quantitativa severa de alimentos que assola, inclusive, crianças. A fome passa a ser uma experiência cotidiana.

Desse contingente — de acordo com o levantamento, que analisa dados de 2018 e 2019 –, temos 2,6 milhões de homens e mulheres que estão em áreas rurais, o que me parece um contrassenso. Esse é um retrocesso enorme para o País. Para além disso, trata-se de um cenário de desumanidade atroz. A falta de alimentação adequada implica em condições sub-humanas de existência. …


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O Brasil está longe de atingir o letramento pleno. O Indicador de Analfabetismo Funcional, conduzido pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa em parceria com o Ibope Inteligência, aponta que somente 12% dos brasileiros possuem proficiência plena em língua portuguesa. Em linhas gerais, eles são capazes de elaborar textos de maior complexidade com base em elementos de um contexto dado e opinar sobre o posicionamento ou o estudo do autor.

A pesquisa mostra ainda, segundo os dados mais recentes (de 2018), que 13% dos que chegam aos ensinos médio e superior ou os concluem podem ser caracterizados como analfabetos funcionais. Esse é um problema que tem ceifado o futuro de gerações, pois representa um grande obstáculo para o avanço nos estudos e o acesso a melhores oportunidades no mercado de trabalho. …


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Crédito: Alexandre Cerqueira

A moradia é um elemento central na vida do ser humano. Um tema que ultrapassa o mero conceito do morar. A relação da habitação com o entorno, a estreita associação com o desenvolvimento urbano e o acesso a políticas públicas — como saúde e educação — são somente três dos recortes passíveis de análises sobre essa correlação com o bem-estar das pessoas.

Quando aplicamos uma visão mais ampla, refletindo sobre os déficits habitacionais qualitativo e quantitativo no Brasil, enxergamos dois grandes desafios: como levar a cidade para as pessoas e as pessoas para as cidades. …

About

Artemisia

Trabalhamos para identificar e potencializar negócios de impacto social. www.artemisia.org.br/

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